Mais de 1.000 milhões de pessoas, no mundo inteiro, vive abaixo do limiar de pobreza, 2.000 milhões de pessoas não tem acesso a água potável, 3.000 milhões não possui instalações sanitárias, 20% da população mundial, que vive nos paises desenvolvidos, é responsável pelo consumo de 85% da produção mundial de alumínio, 80% da energia, 75% da madeira, 65% da carne, fertilizantes e cimento, 50% dos cereais e 40% da água potável; os países em desenvolvimento são responsáveis por 96% dos resíduos radioactivos e 90% dos clorofluorcarbonetos (CFC) que são responsáveis pela destruição da camada de ozono..Se o crescimento dos países em desenvolvimento fosse tão rápido como o dos países desenvolvidos, esgotar-se-iam as reservas de chumbo em 3,4 anos; de cobre em 9,6 anos; de alumínio em 341 anos e, além disso, anualmente, desapareceriam 16 milhões de hectares de terra arável. É à volta destas questões e destes números que se suscitam as grandes discussões em torno da temática ambiental, algumas das quais têm sido erigidas como bandeiras pelas Organizações Não Governamentais.
ÁguaUm terço da população mundial enfrenta problemas de acesso a água potável, prevendo-se que dentro de 30 anos esse número duplique. Nos últimos 50 anos a Europa multiplicou por 5 o seu consumo. A ONU aponta para que, se as tendências actuais persistirem, no ano 2025 a procura de água potável seja muito superior às reservas existentes. No contexto dos consumos globais de água, a indústria consome 13% enquanto que a agricultura consome cerca de 74%. Segundo dados da ONU, registaram-se cerca de 3,35 mil milhões de casos de doença e 5,3 milhões de mortes por causa do consumo de água poluída. Em cada 8 segundos morre uma criança devido a doenças relacionadas com a água, como a cólera, a febre tifóide e hepatite A. Na China, existem já 41 cidades a consumir água proveniente de lençóis contaminados. Dados oficiais, divulgados em Julho de 1999, indicavam que 223 mil portugueses bebiam água contaminada. Segundo a ONU, metade dos ribeiros, rios e lagos do mundo estão poluídos A última conferência sobre o tema realizou-se em 1998 em Paris, sem que tivessem sido tomadas medidas definitivas.
ClimaApesar de a Convenção sobre alterações climatéricas ter sido assinada por 160 países, os governos não se entendem quanto à sua aplicação, tendo sido discutida na última cimeira, realizada em Outubro de 1999, em Bona, a seguinte meta: redução até ao ano 2015 das emissões de gases para os níveis de 1990. Só que ninguém parece estar interessado em assumir essa responsabilidade... PopulaçãoA população dos países desenvolvidos tem vindo a diminuir, mas na maioria dos países em desenvolvimento as taxas de natalidade estão ainda em fase de crescimento. A conferência do Cairo não esbateu as divergências entre aqueles que consideram inaceitáveis propostas de controlo de natalidade, por razões éticas, religiosas ou de segurança e refutam o estabelecimento de relação directa entre o crescimento demográfico e degradação ambiental e os que defendem a tomada de medidas urgentes que visem a redução da natalidade, para evitar mais pobreza e consequente degradação ambiental. Apesar de alguns avanços alcançados em 1999 em Nova Iorque, é grande a preocupação no que concerne às consequências que podem advir do aumento da população, quer no que diz respeito à emigração, quer quanto à vida nas cidades. PobrezaO fosso entre ricos e pobres continua a aumentar mas o plano de acção acordado na Cimeira Social de Copenhaga, em 1995, continua por aplicar. Entretanto, os países pobres que albergam 20% da população mundial em condições abaixo do limiar de pobreza (mais de mil milhões de pessoas) recusam-se a pagar a crise. É que, argumentam, 20% da população mundial, que vive nos países desenvolvidos, consome 80% dos recursos do planeta. É necessário criar uma maior consciencialização que conduza a um menor consumo, mais sustentável e com menor dispêndio de recursos. FlorestasA desflorestação continua a um ritmo vertiginoso (cerca de 14 milhões de hectares são destruídos anualmente). As medidas a tomar estão longe de um consenso, pelo que o problema passou a ser dicutido no âmbito da Convenção sobre a Biodiversidade. Dada a intransigência dos países em desenvolvimento e os interesses das indústrias (especialmente a farmacêutica) não se prevêem grandes progressos nesta área). OceanosAproxima-se dos dois terços o número de bancos de pesca sobreexplorados e a poluição marítima é crescente, pondo em causa a subsistência das populações ribeirinhas. Alcançou-se um acordo sobre stocks pesqueiros mas a sua aplicação prática tem sido difícil. Por outro lado, o controlo dos poluentes orgânicos encontra-se ainda em fase de discussão. Portugal tem a seu cargo a responsabilidade deste dossier. Consumo SustentávelÉ o cerne da questão. Há necessidade de alterar os padrões de consumo e de produção, que são as principais causas de degradação ambiental, particularmente nos países industrializados. A questão fundamental, para que se procura uma resposta, é saber como pode o mundo satisfazer as necessidades básicas da população sem esgotar os recursos naturais. EspéciesA extinção de espécies aumenta todos os anos, pondo em risco o equilíbrio dos ecossistemas. A avaliação da aplicação da Convenção sobre a Biodiversidade, assinada no Rio em 1992, tem sido sucessivamente adiada. Há, no entanto, desde já, a certeza de um recuo nas posições assumidas por parte de países considerados "vanguardistas" nesta matéria, como é o caso do Canadá e da Noruega. SolosO uso de pesticidas e métodos agrícolas desajustados têm contribuído para a degradação dos solos. O crescimento da desertificação é um dado adquirido, mas as sucessivas cimeiras têm alcançado progressos pouco significativos, uma vez que as propostas para a criação de um mecanismo de financiamento da Convenção dobre Desertificação não obtiveram consenso.
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