A Terra irá aquecer mais rapidamente neste século e a consequência principal já foi anunciada: as águas vão subir.As notícias não podiam ser piores. Neste século as mudanças de clima serão ainda mais drásticas e o principal culpado não é outro senão o Homem. O rápido aquecimento da Terra será provocado principalmente pela queima de combustíveis fósseis, como o petróleo, o gás e o carvão, e não por factores naturais. As previsões foram avançadas em Xangai, num relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), que envolveu mais de 600 cientistas e foi assinado pelos representantes de 99 países, entre eles Portugal. Este documento revela os mais recentes conhecimentos científicos sobre alterações climáticas e traça um quadro mais negro que o anterior, divulgado em 1995. De acordo com os dados agora revelados, a temperatura média à superfície aumentará entre 1,4 e 5,8 graus até 2100. Números que até aqui se pensava serem entre 1,0 e 3,5 graus. Em relação aos níveis do mar, as conclusões são mais optimistas do que em 1995, mas não deixam de ser graves. Prevê-se que as águas subirão entre 9 e 88 centímetros até 2100. Um avanço que pode desalojar dezenas de milhares de pessoas, sobretudo nas zonas costeiras mais baixas. É necessário minimizar os efeitos adversos. Como salienta o cientista Filipe Duarte Santos, membro do Scenarios, Impacts and Adaptation Measures (Cenários, Impactos e Medidas de Adaptação - SIAM), as condições climatéricas têm vindo a piorar. O relatório do IPCC indica que no último século a Terra aqueceu mais 0,6 graus. Foi entre 1910 e 1945 e entre 1976 e 2000 que se registaram as maiores subidas de temperatura. A concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera aumentou 31% nos últimos 250 anos. O mesmo cientista chama a atenção para o impacto negativo que estas alterações climáticas terão sobretudo no Sul da Europa. Fenómenos como o decréscimo da precipitação e o "aumento da probabilidade de fenómenos climáticos extremos" levam o SIAM a eleborar estudos de impacto e a propor medidas de adaptação com vista a "minimizar os efeitos adversos". Continuarão as negociações entre os países desenvolvidos para a redução das emissões de gases de efeito estufa, decorrendo uma série de encontros organizados pelas Nações Unidas, que tentarão perceber quais os custos sociais e económicos do aquecimento globas e quais as formas de os reduzir. Para quando acções concretas?
In Visão, Janeiro 2001 (com adaptações) |
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